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INDEPENDÊNCIA DE QUEM?

Independência de quem?

*Thomas Korontai

Datas comemorativas, como a Data Nacional do Brasil, passada quase em branco no último domingo,  têm – ou deveriam ter - mais do que comemorar. Tem a refletir. Tem a reforçar convicções pelas quais se originou tal marco. Vale para qualquer data, pois seus significados têm algo anos dizer, periodicamente. 

A data nacional de um país diz muito para todo um Povo. A Nação. Muito mais do que um território. São valores de uma Sociedade. Independência é autonomia, autogoverno. É, em tese, liberdade. Mas a liberdade vai além da separação em busca de autonomia, como ocorreu entre colonizados e colonizadores. Tal como filhos e país, os primeiros seguem a vida depois de romperem os cordões umbilicais, desde o primordial, no nascimento, até o material, na conquista de sua própria independência como ser responsável por si mesmo. 

Independência significa muito mais do que separar-se dos pais, ou dos colonizadores, a analogia serve em todos os casos. E é o que pouco se vê no país que ainda se busca como nação. A dependência interna é generalizada.

“De nada adianta destronar o rei do trono, se não destroná-lo de sua mente” propõe uma reflexão, cuja autoria é desconhecida. O brasileiro, praticamente de qualquer nível econômico e social, ainda mantém o rei na mente. É por esta razão que subsiste um Estado cada vez mais autocrático, rumo a um absolutismo respaldado por democratismo – a democracia de araque, baseada em populismo, construída por um arremedo de democracia representativa, que é, na essência, apenas a democracia de poucos. A democracia para os financiadores dos eleitos. A democracia dos que pagam a conta de tudo. 

A dependência do indivíduo brasileiro ao “Estado Absolutista Democrático de Direito” se dá por meio da extorsão tributária, cercando-o de entraves e exigências burocráticas asfixiantes, submetendo-o a humilhações diárias de controle social e de rotulação psicológica pelo medo conjugado com benesses obtidas pela obediência, resultando na classificação de formiga operária. Ironia do destino, pois as formigas operárias chegaram a se submeter a um ex-operário. E agora estão a escolher a nova rainha ou rei...

Já a dependência da empresa brasileira se dá pela necessidade de sobrevivência que a obriga a se calar em face da possibilidade autocrática do fiscalismo galopante, cada vez mais ao estilo “big brother”, da cada vez mais eficiente Receita Federal, e a se associar às trocas de favores com os apaniguados do Poder, nos três níveis de governo, em um incesto consentido e progressivo. 

Não se pode deixar de arrolar a dependência de tantos órgãos de comunicação ao regime absolutista de caixa, mantido pelas benesses da publicidade oficial cada vez mais rica e abundante, em detrimento da economia de mercado, cada vez mais dependente das regulações plutocráticas do sistema, sodomizado pelos incestos entre o poder público e privado. A dependência destes poderá se ampliar de tal forma que se equivalerão ao Granma cubano. Será que perceberam? E se não, dará tempo de perceber? Ainda bem que há exceções...

Frise-se também, a dependência dos diversos setores da vida nacional, dos militares ao funcionalismo público, calados que são pela hierarquia do sistema, em troca da manutenção dos níveis de sobrevivência social, política e financeira, afinal, todos são seres humanos que devem agir prioritariamente por si próprios. 

Somos todos dependentes de um absolutismo plutocrático que está por se consolidar no próximo pleito, que já não merece mais ser chamado de “eleições”, pois as urnas eletrônicas são dependentes da violação do próprio sistema, associadas ao financiamento milionário das pesquisas orientadas cientificamente para captar opiniões que refletem setores plenamente dependentes do assistencialismo oficial, publicadas sob a forma cosmética de opinião ampla geral e irrestrita. 

Não há nada a comemorar, porque a Pátria está sendo vilipendiada progressivamente, consolidando o gentílico escravagista de “brasileiro”. A única independência subsiste apenas para os que vivem da escravidão do Povo Brasileiro. 

Quem sabe, um dia, sob um modelo de autonomias individuais, municipais, regionais e estaduais, sem mais a esquizofrênica e extorsiva dependência de um Poder Central, possamos, dentro de um federalismo pleno, desenvolver uma brasilidade de Brasilianos, o gentílico que, adotado, significará a conquista da própria independência. E independência depende apenas de quem a quer. 

*Thomas Korontai é empresário, autor de livros, fundador do Movimento Federalista no Brasil e Presidente do Federalista, partido político em formação – www.federalista.org.br

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